BERTIOGA – A partida, realizada na tarde de sábado (dia 29) e que definiu o vencedor do Campeonato Unificado, teve todos os ingredientes de uma final memorável: disputa, rivalidade, lances ríspidos, gols e uma virada sensacional, com direito a gol de ouro.
Wainer, artilheiro do Jundipira, estava apagado na partida e recebeu marcação implacável durante todo o jogo. Vitório foi o destaque do time que defendia o título de 2015, com um gol olímpico e dois escanteios na trave.
Por outro lado, o valente Osafis marcou três gols após estar com o placar adverso em 2 a 0. O artilheiro do time Cacá foi garçom para Fábio, que fez o gol que levou à prorrogação e o da vitória, bastante celebrada após o apito final.

Osafis, time campeão da temporada
A FINAL
O jogo começou estudado, com as equipes a trocar passes e manter a posse de bola no campo de defesa. Logo no início, Dalmo, do Osafis, mostrou-se como boa opção na transição da defesa para o ataque com boas finalizações. Em uma de suas escapadas ao ataque do Osafis, Dalmo se beneficiou de uma falha da zaga, que não cortou lançamento, e, com o bico da chuteira, no melhor estilo Romário, quase abriu o placar.
O Jundipira não conseguia articular jogadas no ataque e passou a se defender. Após cruzamento de escanteio, o zagueiro Vitor Hugo, do Osafis, subiu no terceiro andar e cabeceou sozinho e para fora.
Outro ataque do Osafis: Cacá, com uma canhota calibrada, carregou a bola pelo meio e disparou. O chute saiu relativamente forte, porém na direção de Rossano, que preferiu espalmar a bola para fora. A esta altura do jogo, o Osafis, abusando de vigor físico, ganhava as disputas no alto e antecipava a maior parte dos lançamentos.
Daniel, do Osafis, fez uma belíssima jogada, que quase resultou em gol: recebeu a bola no meio de campo e partiu para o ataque. Corte leve para o lado e passou por um. Pulo sutil para escapar do carrinho do adversário batido e bola para frente. Vem outro zagueiro lotado de frente e outro corte. A cobertura chega e também fica na saudade. Era a hora do chute, mas Daniel erra a direção. A bola cruza a área e se encaminha para a linha de fundo, quando Dalmo surge “do nada” na área do Jundipira, toca nela com o pé esquerdo e vê o desvio subir demais. Quase inaugurou o placar.

RIO 2016
O momento era totalmente favorável ao Osafis, que sufocava o adversário no campo de defesa. Em um dos ataques que conseguiu, o Jundipira teve escanteio a seu favor. Aí entra em cena o destaque do time: Vitório. O experiente camisa 25 colocou a bola na marca, observou a movimentação na área e, lá, tinha opções para gol de jogada aérea, com cruzamento, ou mesmo ensaiada, rolando para alguém vir de trás com um chute potente.
Vitório preparou o pé direito e cobrou. Dentro da área tinha, no mínimo, dez jogadores das duas equipes. A bola desfilou da marca de escanteio até o gol. Vitório surpreendeu a todos os jogadores do Osafis, inclusive o goleiro Osvaldo. Golaço olímpico: 1 a 0. Até a torcida foi surpreendida, que se perguntou o que tinha acontecido.
Wainer, do Jundipira, recebeu atenção semelhante à que teve na semifinal. A diferença é que o sistema defensivo do Osafis não vacilou um momento sequer e o artilheiro teve atuação apagada, assim como Renan, do Osafis, um dos jogadores mais jovens da competição. Este logo foi substituído por Fábio, que viria a ter um papel decisivo na partida mais adiante.
RAIOS NO MESMO LUGAR
O Jundipira articulou boa jogada e conquistou mais um escanteio. Vitório, inspirado, foi para a cobrança. O time do Osafis demonstrava grande poderio ofensivo e defensivo com a bola em jogo. A bola parada, por outro lado, foi o ponto fraco do time. Cruzamento e, em uma falta de comunicação entre a zaga e Osvaldo, a bola ricocheteou na pequena área e foi isolada para a linha lateral. O goleirão reclamou com os zagueiros.
O perigo que o Jundipira representava para o Osafis àquele momento era nos cruzamentos. Wainer estava bem marcado, Júlio e Marcelo não estavam em seus melhores dias. As jogadas não saíam. O Osafis pressionou, apertou, articulou, tentou e não conseguiu. A bola simplesmente não entrava. Seria falta de sorte? Fim do primeiro tempo.

BASTIDORES
No intervalo da partida, Aristeu, técnico do Osafis, alertou para a possibilidade de que os jogadores do Jundipira não tivessem disposição de acelerar o reinício das jogadas. “O nosso time está bem, mas temos de ter cuidado, eles são os reis da cera”, disse ele.
Do outro lado, o Roberto Santos, jogador e técnico do Jundipira, indicou que, realmente, celeridade não estava nos planos da equipe. “Temos de ‘cozinhar’ essa partida até o final e mandar a bola no Wainer. Tem de mandar a bola no Wainer”, exclamou.
Ao ver os jogadores do Osafis nervosos por não conseguir marcar gol após os diversos ataques consecutivos, o mesário da partida, Nagata, argumentou que a equipe precisava de jogadores experientes em campo para dar tranquilidade. “Tem de colocar o Joaquim e o Luís”, sugeriu. O pedido não foi atendido.

ETAPA COMPLEMENTAR
O bom momento do Osafis permaneceu no segundo tempo. Fábio recebeu arremesso lateral de Jeferson e, de primeira com o pé direito, acertou um belo chute, que foi por cima do gol defendido por Rossano.
Em um dos diversos ataques do Osafis, a bola estava em disputa e a zaga do Jundipira fez falta. O árbitro, bem posicionado, apitou. No decorrer do lance, a bola sobrou para Dalmo, que arriscou um chute, mesmo com a jogada parada. Marcelo, do Jundipira, estava no meio do caminho e a bola acertou em cheio seu rosto. Estava lá um corpo estendido no chão. Confusão. Jogadores se empurram, cada um apresenta sua verdade sobre o lance e o desfecho foi cartão amarelo para os dois lados: Jeferson e Rubens.
Com os ânimos menos acelerados, o Osafis voltou a mostrar superioridade. Cacá recebeu a bola, cortou o zagueiro e ficou frente a frente com Rossano. O empate seria uma consequência natural do lance se não fosse o goleiro do Jundipira, que fez uma defesa magistral.
A bolada parece que deixou Marcelo mais atento. Lançamento na direita e ele partiu como uma flecha nas costas da marcação. A bola quicou e ficou na medida para o chute, que pegou na rede pelo lado de fora. O Jundipira não estava morto na partida.
Dois lances poderiam ter feito de Dalmo o vilão para o Osafis. Em uma bela jogada de Cacá, ele ficou sozinho na ponta esquerda e arriscou de esquerda, que é a perna boa. O chute saiu fraco e não assustou. Na jogada seguinte, semelhante à anterior, Dalmo estava mais próximo, a bola estava mais lenta e o goleiro Rossano, mal posicionado. Dalmo teve tempo de escolher o canto, respirar e chutar. A bola raspou a trave e os jogadores no banco do Osafis se entreolhavam incrédulos. “Essa bola não entra de jeito nenhum”, bradou Aristeu.
CONCESSIONÁRIA
Uma das jogadas temerárias do futebol é popularmente conhecida como “carrinho”. Pode-se dizer que um desfile automotor passou pelo campo do Sesc Bertioga. Carrinho de lado, de frente, na bola, no pé, no tornozelo, no jogador do Osafis, no jogador do Jundipira. Era carrinho para todo lado.
Para inibir a jogada, que facilmente poderia contundir um dos participantes da partida, os árbitros decidiram por marcar falta cada vez um carrinho fosse aplicado, independentemente se tivesse acertado somente a bola.

DECISIVO
Vitório e sua sina continuavam firmes e fortes. Escanteio. As duas equipes na área e o cruzamento foi efetuado. Desta vez a bola bateu na trave. Com as mãos na cabeça, o técnico do Osafis suspirou: “tá difícil, tá difícil”.
Se teve bola na trave a favor do Jundipira, o mesmo aconteceu para o Osafis. Cacá recebeu lançamento e, com um leve toque, colocou entre as pernas do marcador; ajeitou o corpo e soltou o tijolo para cima de Rossano, que não viu a cor da bola. A trave salvou o Jundipira do empate.
Em jogada de contra-ataque, Júlio, do Jundipira, até então discreto no jogo, recebeu a bola na entrada da área e mandou para o fundo das redes: 2 a 0. O resultado parecia sacramentar o título.
REAÇÃO
O Osafis tinha pouco tempo para mudar o cenário. O volume de jogo não tinha dado resultado e o que sobrou como opção foi partir para cima com tudo. A desorganização tática era apenas um detalhe, o fôlego pedia arrego e os corações estavam literalmente na ponta da chuteira. E foi com a chuteira direita que Vitor Hugo tentou um chute cruzado incentivado pela torcida e o banco de reservas. A zaga do Jundipira furou de maneira bisonha e Cacá estava lá para diminuir o placar: 2 a 1.
Vitório, para variar, cobrou outro escanteio e a bola bateu na trave. Ele estava impossível. Rubens, do Jundipira, levou cartão azul após fazer falta e teve de ser substituído por Walter Gallo, que ficou na zaga.
Uma trama envolvente do Jundipira quase resultou em gol. Marcelo deu uma caneta desconcertante e partiu para o ataque. Júlio o acompanhou na jogada, recebeu a bola e tentou um passe em profundidade para Marcelo, que seguia sozinho em direção ao gol. O passe foi forte demais e o goleiro Osvaldo defendeu.
Ataque para o Osafis. Cacá pega a bola, levanta a cabeça e manda no chamado “ponto futuro” para Fábio, que veio em progressão do meio de campo. Cabeçada indefensável. Era o empate no finzinho do jogo: 2 a 2. O resultado levou a disputa para prorrogação com morte súbita, ou seja: gol de ouro. Ganha quem marcar.

GOLDEN GOAL
Qual estratégia é melhor em um momento cabal de decisão como uma prorrogação com gol de ouro? Partir para o ataque e tentar definir logo ou segurar o resultado e esperar a disputa por pênaltis?
As jogadas resumiam-se a lançamentos, que eram cortados ora por Vitor Hugo, do Osafis, ora por Wanderley Maçaneiro, que foi um monstro na zaga do Jundipira. Bola picada encaminhada para fora. Cacá deu um pique e evitou o lateral. Pisada na bola, cabeça levantada e passe para Fábio, livre de marcação na entrada da área. O Jundipira tinha uma barreira de jogadores na defesa. Fábio, então, para a bola, vê a marcação e analisa as possibilidades. Rapidamente corta para o pé esquerdo, tirando a marcação, e manda um canudo. É caixa, é gol de ouro!
O título coroou a equipe que apresentou maior volume de jogo durante toda a partida. Por um momento não havia aposentado, ativo, PL ou PEC que os diferenciasse entre si. Todos ali representavam uma unidade e, como tal, celebraram como verdadeiros campeões.
A COMPETIÇÃO
O 27º Campeonato Unificado é uma realização da APAFISP – Associação Paulista dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil – em parceria com a Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Associação) e Unafisco Santo André. A fase final, que compreende a semifinal, decisão de terceiro lugar e a grande decisão, é realizada no Sesc Bertioga, no litoral paulista.
O Osafis venceu o Jundipira por 3 a 2 e definiu o vencedor e vice do Campeonato Unificado. A decisão do terceiro lugar teve o Limcam como vencedor em partida contra o Ararario, que desistiu do jogo após estar com jogadores a menos.
Na Série Prata, o ABC 2 venceu o ABC 1 na final por 12 a 3. Rubinho, do ABC1, não desanimou após a derrota de seu time: “Tomamos uma goleada, mas eu fiz dois”, justificou.
A APAFISP parabeniza todos os participantes da competição.
























