O presidente da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Vilson Antonio Romero, contrapôs o argumento de deficit previdenciário, utilizado pelo Governo para a reforma no setor com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 287/16), na terça-feira passada (dia 7).
A apresentação foi parte do seminário “Reforma da Previdência – desafios e ação sindical”, promovido por nove centrais sindicais e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em São Paulo, que teve fim no dia seguinte.
“O Governo dá uma pedalada na Constituição e faz uma contabilidade criativa”, disse Romero a respeito do suposto “rombo” da Previdência. Segundo ele, consideradas todas as fontes de financiamento, o sistema não tem deficit. As receitas e despesas do orçamento estão na publicação Análise da Seguridade Social, estudo desenvolvido anualmente pela Anfip.
Os dados apresentados por Romero mostram os recursos que são retirados do orçamento, como é o caso da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que retira 30% das receitas voltadas para o seguro social.
Além disso, parte de valores destinados à Seguridade são desviados para pagamento de juros e amortização da Dívida Pública. Romero também citou itens como renúncias previdenciárias que, em 2016, chegaram a quase R$ 70 bilhões, sendo aproximadamente R$ 26 bilhões de desonerações da folha de pagamento e R$ 11,5 bilhões de entidades filantrópicas. “Só tem teto para os programas sociais”, criticou. Romero concorda que o setor rural é fator de preocupação, mas sem que isso signifique onerar o trabalhador do campo. “Temos de chamar o agronegócio a contribuir.”
Durante o evento, o presidente da Anfip enfatizou que está em curso um movimento em prol da expansão dos fundos de previdência fechados, caminhando para um sistema como o chileno, baseado na poupança individual. “Passada uma geração, o que aconteceu no Chile?”, questionou. Para uma expectativa de se aposentar com 70% da renda, aproximadamente, o trabalhador não conseguiu 30%.
Romero também abordou as fontes de custeio. Além da contribuição sobre a folha de pagamento, o orçamento da Seguridade conta, ainda, com a Contribuição sobre a Seguridade Social (Cofins), que somou R$ 208,3 bilhões em 2016, e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), R$ 69,5 bilhões.
Outra fonte de recursos estaria na venda de imóveis, que representam anualmente bilhões em manutenção e outras despesas, de acordo com Romero. “A Previdência Social é a maior imobiliária do Brasil. E não aliena isso”, afirmou, ao destacar em seguida que também é preciso aperfeiçoar o combate à sonegação previdenciária. “Em 2008 o país tinha 4,2 mil fiscais destinados a essa atividade; e hoje são apenas 900.”

Ariovaldo Cirelo, da APAFISP, ao lado de Eduardo Fagnani, da Unicamp, que ministrou o painel “Contexto e Motivação da Reforma da Previdência Social”
DIFICULDADES
A APAFISP – Associação Paulista dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil – foi representada na apresentação pelo vice-presidente de Finanças, Ariovaldo Cirelo, que viu as mudanças propostas pelo Governo. “Está claro com as palestras que, se a proposta for aprovada, as mulheres terão de trabalhar mais e os beneficiários em geral precisarão de 49 anos de contribuição para conseguir aposentaria integral”, explica.
Outro ponto ressaltado por Cirelo trata das pensões. “Uma mulher cujo marido recebia salário de R$ 4 mil, sem filhos, com cinco anos de trabalho, vai ficar com 30% da aposentadoria, ou seja, R$ 1.344.”
O vice-presidente da APAFISP conta que, durante apresentação, Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho do Diap, falou sobre as dificuldades de se reverter a PEC da reforma, porque o Governo tem 300 deputados que compõem a chamada “tropa de choque”, ou seja, votam a favor do Governo qualquer que seja o assunto, e tem também outros 130 que só precisam de um “incentivo” para votar a favor.



















