Chamas atingiram seis andares do edifício, no Setor de Autarquias Sul. Ninguém ficou ferido
Correio Braziliense – 28/12/2005
As labaredas se espalharam do 5º ao 10º andar: arquivos da Previdência Social foram perdidos
A enorme nuvem de fumaça negra que cobriu o céu de Brasília era apenas um sinal do tamanho da destruição. Ao redor do prédio do Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS), no Setor de Autarquias Sul, centenas de curiosos e funcionários observavam boquiabertos o fogo destruir seis andares do edifício. Em menos de três horas, as chamas se alastraram pelo local e queimaram documentos, computadores, arquivos, salas inteiras. O fogo se espalhou rapidamente, mas ninguém ficou ferido. A Polícia Federal e o Corpo de Bombeiros vão investigar se o maior incêndio dos últimos 10 anos na capital federal foi criminoso. Análises preliminares apontam que um curto-circuito provocou a primeira explosão, mas nenhuma outra hipótese está descartada.
O incêndio começou por volta das 7h. Cerca de 30 pessoas estavam dentro do prédio. Testemunhas ouviram uma explosão no 7º andar, onde funciona o Departamento Financeiro. Pessoas que trabalhavam no local disseram que o fogo começou após um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado. Mas peritos suspeitam que as chamas surgiram depois de uma explosão em um estabilizador de computador.
Às 7h13, funcionários chamaram o Corpo de Bombeiros. As equipes chegaram ao local oito minutos depois. Problemas no sistema de combate a incêndio do prédio do INSS dificultaram o trabalho dos bombeiros. Os hidrantes de parede não estavam em condições adequadas, o que impediu que o trabalho para apagar as chamas fosse realizado dentro do prédio. Diante das limitações, a equipe dos bombeiros começou a combater o incêndio do lado de fora.
Autos de infração
O incêndio na área central da capital federal mexeu com a rotina da cidade. O trânsito sofreu alterações e funcionários de prédios próximos foram dispensados por medida de segurança. A tragédia no Setor de Autarquias Sul atraiu os olhos da imprensa de todo o país. Policiais, bombeiros, engenheiros, jornalistas acompanhavam de perto o desenrolar do drama. Além de possíveis vítimas, a maior preocupação era com os arquivos guardados no local. O ministro da Previdência Social, Nelson Machado, revelou que o incêndio queimou autos de infração de empresas em dívida com o INSS. Mas o ministro tranqüilizou todos os 23 milhões de beneficiários e disse que o pagamento de pensões e aposentadorias será realizado normalmente.
Enquanto as chamas queimavam seis andares do prédio, centenas de pessoas assistiam ao trabalho dos bombeiros. O desespero dos funcionários do prédio aumentava enquanto o fogo se espalhava. Abraçados, com lágrimas no rosto, eles lamentavam o estrago e a destruição de anos de trabalho. No final da tarde, um pequeno foco voltou a assustar os bombeiros, mas as chamas foram controladas rapidamente.
Como o edifício foi submetido a temperaturas de até 1.000º, o calor pode ter comprometido lajes e estruturas. A Defesa Civil não descarta a possibilidade de desabamento de partes do prédio. Todo o edifício ficará interditado por 24 horas. Ontem à tarde, uma equipe do Corpo de Bombeiros passou duas horas e meia dentro do prédio para começar a fazer a perícia. De acordo com o comando da corporação, 10 homens passariam a madrugada de plantão no local, para controlar possíveis novos focos.
















