Jornal Valor Econômico
(Azelma Rodrigues | Valor)
BRASÍLIA – O governo elevou os gastos em cerca de R$ 50 bilhões no período de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo intervalo de 2008. As despesas subiram de R$ 306,8 bilhões para R$ 356,11 bilhões nesta comparação. Somente com a folha salarial foram R$ 15,7 bilhões adicionais, em função de reajustes a milhares de servidores federais.
Reiterando as justificativas da política anticrise, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que o aumento de salários é algo irreversível, mas fez parte de acordos negociados pelo governo com lideranças sindicais, para equilibrar a remuneração de carreiras importantes no serviço público.
Enquanto as despesas totais subiram 16,1% sobre janeiro/agosto de 2008, as receitas totais caíram 0,8%, somando R$ 462,5 bilhões, segundo informou o Tesouro.
Augustin disse que, para combater os efeitos desfavoráveis da crise financeira global, o governo adotou um impulso fiscal positivo, com desonerações tributárias e aumento de gastos com programas sociais.
Em 2008, o impulso fiscal exigido era negativo, e por isso fizemos um superávit primário maior. Este ano, vamos fazer um superávit menor, e não me parece que 2010 será um ano que vá exigir um primário mais alto, como em 2008, nem tão baixo quanto em 2009, comentou o secretário.
Ele insistiu que o importante é que o governo está adotando os impulsos fiscais no momento adequado. Neste ano, foi importante ajudar o crescimento da economia para o país sair mais cedo da crise.
Augustin disse que a visão de uma situação fiscal sólida foi fundamental para a elevação do país a grau de investimento, decisão anunciada semana passada pela agência de ratings Moody´s.
Ele citou como exemplo de despesa que o governo não deve repetir em 2010 a transferência de cerca de R$ 2 bilhões do Tesouro às prefeituras, como compensação pela queda de receitas do Fundo de Participação dos Municipios (FPM).
A queda da receita no FPM decorreu do recuo na arrecadação de impostos, pela retração da atividade econômica causada pela crise. Isso não vai ocorrer novamente em 2010, prevê o secretário.
















