O que ocasionou esta série de protestos populares nas ruas de todo o país, não foi o aumento da tarifa de ônibus, esse foi só um dos fatores, que faltava para que a população, certamente reafirmasse que a luta só começou.
As manifestações de hoje fazem parte da condução da política pública que só retiram direitos. Uma política distorcida e equivocada que beneficia duas extremidades da pirâmide social (no topo, os mais ricos, e na base, os miseráveis) e sobrecarrega a classe média.
O Governo busca alguma justiça social com auxílios pontuais aos que têm menos. A política assistencialista, baseada no Bolsa Família, é duvidosa, visto que, por um lado é responsável por uma das épocas de maior mobilidade social do país. Considerando que o fortalecimento do mercado consumidor brasileiro, que melhorou sensivelmente a demanda dos produtos de primeira necessidade. Por outro lado, nem sempre avaliou que esses direitos, não estavam sendo conduzidos, de certa forma a quem realmente tem necessidade.
A evolução da economia fez com que muitos brasileiros elevassem à classe média atual e, agora, querem mais – A mobilização tomou proporções maiores; por mais escolas e ensino qualificado, melhor transporte público, menos tributos. E especialmente, o fim do oportunismo e da corrupção, pois sabem que todos os malefícios sociais são causados por ela. O nosso sistema é antigo sempre teve o objetivo de privilegiar os mais ricos.
Qualquer indício de crise Internacional. O Governo trata logo, de entrar em cena, com medidas protecionistas, desonerando impostos e contribuições sociais, que como todos nós sabemos, não beneficiam os consumidores, são repassadas para o preço dos produtos que só tem a favorecer os donos do capital, que desembolsam cada vez menos para financiar o desenvolvimento do país e lucram cada vez mais.
Um exemplo da decorrente situação são os preços praticados pelas Multinacionais dos automóveis, eletrônicos, perfumes e roupas, estes são infinitamente maiores no Brasil do que nos seus países onde ficam suas matrizes.
É mais em conta pagar as passagens aéreas e viajar para os Estados Unidos ou Europa e adquirir os produtos lá, do que comprá-los no Brasil. Na crise de 2008 a General Motors (GM), utilizou a sucursal do Brasil para equilibrar a economia da empresa. O governo brasileiro deu sua contribuição reduzindo em dezembro de 2008 o IPI dos automóveis.
Estamos convivendo com frequência o desvio de fundos no exercício de um cargo, o governo perdoando dívidas dos países da América do Sul, Cuba, África entre outros. Quando o que nos interessa são os problemas incalculáveis, com que devemos conviver.
Não vamos omitir que nosso país é rico, quando se refere ao PIB, que posiciona nosso país como a 7ª economia mundial em 2012; mas com relação a nossa população ele é pobre. A nossa renda per capta é de 12 mil dólares e ocupa atualmente a 104ª no ranking mundial.
E quem paga por isso?!
A classe média, que é obrigada a absorver os afagos ao empresariado e as consequências de uma máquina político-econômico-social deficiente e ineficaz.
O que ocasionou surpresa até para a Rede Globo. Foi a sugestão do Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para “solucionar” o problema do aumento da tarifa de ônibus que ‘quem deveria financiar o transporte público é quem anda de carro’ – ou seja, mais uma vez a classe média.
Parece que o Prefeito da cidade; esquece que o trabalhador adquire um carro pelos péssimos serviços prestados aos usuários do transporte coletivo e quer nos reprimir.
Esse é o Prefeito eleito para defender a classe trabalhadora?!
É necessário que governantes das três esferas ouçam a reprovação expressa das ruas e busquem alternativas para uma reorientação da dinâmica política atual. O que podemos perceber é que os protestos não discutem apenas a carga tributária brasileira, mas especialmente a distribuição da carga, a quem pesa mais essa tributação e como se dá o retorno da sua aplicação e distribuição.
Até o presente momento, fica claro que esses recursos, além de mal administrados, não são destinados a melhorar a vida do cidadão comum. Visto que, as tarifas de transporte público, parecem muito mais voltadas a garantir o lucro dos empresários do que a qualidade do serviço prestado à nossa população.
A APAFISP apoia todas as manifestações pacíficas. É hora de o Governo atender a sociedade como um todo, fazendo uma política de verdadeira justiça social para todos e não para quem já tem muito. E precisa amadurecer a ideia, exigindo que cada um colabore na medida de sua capacidade econômica para o desenvolvimento da nação e a construção de um país socialmente mais justo.
















