Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o Ibope mostra que a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff atingiu patamares tão baixos quanto as do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o escândalo do mensalão.
Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, o percentual de pessoas que consideram seu governo ótimo ou bom empatou com as que classificam como ruim ou péssimo: 31%. A avaliação do CNI/Ibope contempla, ainda, 11 governadores, e revela situação semelhante. Ainda enfrentando protestos e confrontos entre manifestantes e policiais, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), teve a pior aprovação: somente 12% da população fluminense o consideram ótimo ou bom. O percentual dos que o analisam como ruim ou péssimo chega a 50%.
O presidenciável Eduardo Campos, do PSB de Pernambuco, obteve o melhor desempenho, com 58% de aprovação, sendo que 68% disseram confiar nele. A análise sobre a maneira como Dilma governa também registrou queda acentuada. Diminuiu de 71% para 45%, sendo que a parcela dos que desaprovam supera e atinge 49%. Também aumentou, pela primeira vez, de 28% para 50% o percentual dos que não confiam na presidente, superando os 45% que acreditam nela. O CNI/Ibope constatou também que, hoje, 46% acham o governo Lula melhor que o de Dilma. As áreas com boa avaliação foram habitação e moradia, e as piores, saúde, segurança pública e educação.
Segundo o gerente de Pesquisa da CNI, Renato Fonseca, a presidente pode recuperar-se do quadro ruim, mas encontrará mais dificuldade que Lula após o mensalão. “Há uma diferença no cenário econômico. Na época, você tinha a economia iniciando um período maior de crescimento. Hoje, ainda estamos passando por outra crise, e à beira de um possível aprofundamento dos problemas”, afirmou ele. “Naquele momento, houve a relação de um caso de corrupção em que a população entendeu que o presidente estava à margem. Hoje, a insatisfação contra Dilma não é por um ato de corrupção, não é por algo passageiro, mas uma insatisfação com políticas que já vêm acontecendo há muito tempo.”
A insatisfação da população refletiu-se ainda nos julgamentos sobre os governadores e os prefeitos. Na média geral, 28% consideram as administrações estaduais como ótimas ou boas, mesmo percentual dos que avaliam dessa maneira as chefias municipais. Considerando a margem de erro de 2%, há um empate técnico com os 31% do governo federal.
Em alguns casos, foi mais evidente a conjectura de queda. Além do alto índice de pessoas que consideram seu governo ruim ou péssimo, Sérgio Cabral foi o mais mal colocado em relação à sua maneira de governar – somente 29% aprovam – e em relação à confiança do eleitor. Apenas 25% responderam acreditar nele. O Rio de Janeiro foi também o estado onde Dilma recebeu os piores pareceres: apenas 19% acham bom ou ótimo seu governo. “Na medida em que melhora a (percepção) do governador, assim será a da presidente. A população avalia o governante na medida em que está sentindo, e isso acaba sendo jogado para cima, seja a favor ou contra o governante, seja presidente, governador ou prefeito”, detalha Fonseca.
No geral, apesar das críticas, as respostas dadas às manifestações pela presidente foram mais bem avaliadas do que as dadas pelos governadores, prefeitos e parlamentares (veja o quadro). De 0 a 10, foi dado a Dilma nota 4. As opiniões consideradas piores foram para os deputados federais, que receberam nota 2,8. A pesquisa foi realizada entre 9 e 12 de julho, em 434 municípios. Foram ouvidas 2.002 pessoas no questionário sobre a presidente Dilma. Em amostragem usada historicamente pelo Ibope para os dados locais, foram ouvidas 7.686 pessoas, somando os 11 estados.
Avaliação das manifestações
Entre os entrevistados, 89% se posicionam a favor dos protestos de rua ocorridos no país, sendo que 39% manifestaram, espontaneamente, que se deveria evitar a violência.
Poder público Nota média Desaprova Aprova de 0 a 10 totalmente
Presidente Dilma Rousseff 4,0 31% 14%
Governadores de 11 estados 3,6 3 2% 9%
Prefeito da sua cidade 3,7 31% 10%
Senado Federal 3,0 37% 7%
Câmara dos Deputados 2,8 39% 7%
Fonte: CNI/Ibope, 2013
















