Brasil importou US$ 4,989 bilhões a mais do que exportou de janeiro a julho, diferença nunca vista em toda a série de dados do comércio com o exterior. Combustíveis pesaram Antonio Timóteo e Rosana Hessel Paulo Silva Pinto
Brasília – De janeiro ao mês passado, o déficit da balança comercial do Brasil foi de US$ 4,989 bilhões, o pior desde que a série história foi iniciada, em 1994, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No mesmo período do ano passado, houve superávit de US$ 9,927 bilhões. Técnicos da pasta avaliam que o resultado negativo é fruto do aumento da importação de petróleo e derivados. Apesar dos resultados negativos, a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, acredita que a produção de petróleo deste semestre crescerá, e, com isso, vai reduzir a necessidade de importações. “Também avaliamos que haverá uma maior exportação de aviões, de milho e de automóveis”, disse.
Tatiana Prazeres destacou que a valorização do dólar frente ao real será positiva para os exportadores brasileiros. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou minimizar o déficit crescente da balança comercial. “É bom observar que a melhor explicação para o resultado menor que estamos tendo este ano está nas contas do petróleo. É ela que deixa de faturar tanto na exportação quanto na importação algo como US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões, aproximadamente”, afirmou Mantega, na mesma entrevista em que anunciou redução do Imposto de Importação para uma lista de 100 produtos.
“Estamos importando mais petróleo e exportando menos porque consumimos mais. E a Petrobras, provisoriamente, está exportando menos”, comentou o ministro, observando que a produção de petróleo no país está crescendo. “Tirando o petróleo e derivados, o resultado comercial é normal”, assegurou. As exportações no acumulado do ano somam US$ 135,230 bilhões, com média diária de US$ 926,2 milhões. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 140,219 bilhões, com média diária de US$ 960,4 milhões.
Só em julho, o déficit foi de US$ 1,897 bilhão, recorde de baixa desde 1997, quando foi registrado déficit de US$ 550 milhões. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que esperavam saldo positivo de US$ 500 milhões. Até então, o maior déficit nos primeiros sete meses do ano havia sido registrado em 1995, quando o saldo ficou negativo em US$ 4,2 bilhões. O Brasil já havia entrado em 2013 com perspectiva de saldo negativo, diante do atraso no registro de importações de combustíveis da Petrobras no valor de US$ 4,5 bilhões.
As operações de compra da estatal foram feitas ao longo do segundo semestre de 2012, mas contabilizadas apenas este ano devido a uma mudança nas regras de registro da Receita Federal. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou para baixo as perspectivas para a balança comercial, considerando déficit de US$ 2 bilhões em 2013. Se confirmado, será o pior resultado em 15 anos. (Com agências).
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