Imagine uma criança, com nove anos de idade, que, revestida de orgulho pueril, sai de casa e vai trabalhar em roçados, no interior do Estado do Paraná. Que, dez anos mais tarde, atingindo a idade para alistamento, na Intendência da cidade de Lapa (PR), é dispensado pelo médico de plantão, pois, analfabeto, não conseguira preencher uma ficha cadastral.
Este episódio teve como protagonista o jovem Antenor Batista, que depois se transformou em respeitado advogado, administrador de empresas, secretário de finanças da Previdência em SP, professor, conferencista e escritor (autor de inúmeras outras obras, com tratados sobre o Direito, parapsicologia, ioga, musicoterapia, comunicação e política).
A transformação se deu por motivos, que provam a essência do Trabalhismo Brasileiro: solidariedade, acesso à educação de qualidade e igualdade de oportunidades.
Voltando àquele longínquo dia em meados dos anos 40, ao ser descartado pelo médico para o alistamento militar, um oficial de dia interveio e disse que um jovem com força e disposição para o trabalho seria muito bem-vindo, para o escopo de executar os serviços mais pesados do quartel. Aceito como conscrito, Antenor Batista contou sua trajetória aos militares, que lhe proporcionaram um curso de alfabetização.
Daí para frente, sua vida sofreu grandes transformações, que o levaram a militar no PTB fundado por Getúlio Vargas, do qual se tornou um expoente, nas décadas de 60 e 70, assessorando o Major Newton Santos e a deputada Ivette Vargas.
RETORNO À BASE E HOMENAGEM DO COMANDANTE
Apesar de ter se radicado em São Paulo, onde, aos 88 anos, mantém sua banca de advocacia e continua com franca produção literária, o professor Antenor costuma rever parentes no Paraná. Em outubro, resolveu visitar o quartel, que, desde o ano 2000, passou a denominar-se 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado.
Lá, o comandante Cel. Marcelo Maia Chiesa, pediu que ele fizesse uma palestra para os militares. Antenor disse que faria de bom grado, mas que o tema recorrente tem sido sobre o seu livro “Corrupção, o 5o. Poder”, que já está na 13a. edição. Com toda educação peculiar a um comandante do Exército, o Cel. Chiesa pediu que o professor falasse sobre a sua vida, daquela manhã dos anos 40 até o dia da palestra.
E assim aconteceu. Na data marcada, no final do mês de outubro, ao chegar ao quartel, o professor Antenor teve uma grande surpresa: todos os conscritos e oficiais presentes, uma plateia com mais de 300 pessoas. A palestra, com caráter motivacional, foi um sucesso, e, logo em seguida, Antenor Batista, aplaudido de pé, recebeu do Comandante Chiesa um diploma pela sua participação no engrandecimento moral da tropa.
Para Antenor Batista, foi um dia de grande emoção “para quem quase saiu daqui, há quase setenta anos, sem nenhuma perspectiva, retornar, e pode dizer a estes jovens quão importantes são o conhecimento, a esperança e a força de vontade – para forjar um cidadão na acepção do termo – é uma alegria sem fim e motivo de grande orgulho.”



















