A estreia da categoria Master no 28º Campeonato Unificado, que tinha apenas jogadores com mais de 50 anos, teve uma partida emocionante para a entrega do troféu. Tabelas, dribles desconcertantes e até gol do meio de campo foram alguns dos lances protagonizados pelos jogadores.
Vice-campeão no ano passado, o Jundipira/Limcam montou um time com seus veteranos e conquistou o título de maneira invicta, após fazer 2 a 1 no Ararario/Aramar. A virada veio no segundo tempo. O grito de “é campeão”, que estava engasgado, ecoou na tarde de sábado (dia 7), no Sesc Bertioga. Na outra partida que definiu quem ficaria com o terceiro e quarto lugares, o ABC/Alf venceu o Osafis, por 3 a 2.

Gallo e Nelito comemoram a vitória
COMO FOI O JOGO
O sol se mostrava pleno em Bertioga até a noite que antecedeu a partida. Veio a chuva de forma acanhada, mais para refrescar os jogadores. A grama do campo estava molhada e as faltas foram constantes no início. Uma chegada atrasada aqui, um esbarrão acolá. O juiz marcou tudo em cima, mas não o pouparam das reclamações.
De maneira cautelar, os times arriscaram pouco no ataque. As investidas mais incisivas eram anuladas com faltas. Mesmo assim, começaram a surgir os espaços e as finalizações.
Aberto na ponta esquerda, José Fernando Barbieri, o Nando, do Ararario/Aramar, recebeu lançamento da defesa. Ele dominou a bola no peito (há controvérsias, alguns dizem que foi no braço) e viu Gallo dar o bote. Neste momento configurou-se um dos mais belos lances de todo o campeonato: com um sutil toque, Nando deu um chapéu desconcertante em Gallo, que, sem chances de pegar a bola, tentou parar a jogada com a perna. Sem sucesso. Nando percebeu a posição do goleiro e, com um chute forte, a mágica se completou. Golaço, digno dos grandes jogadores. Bola cheia do Fantástico com torcida em delírio! 0 a 1.

Jogo truncado no início com diversas faltas
O empate não demorou a sair. Vitório, um dos mais habilidosos e rápidos do Jundipira/Limcam, sofreu falta no ataque. Roberto Andrade cobrou. A bola foi no segundo pau e encontrou José Fernando Almeida sozinho, que só teve o trabalho de cabecear para o fundo da rede. 1 a 1. Jogadores do próprio Jundipira/Limcam disseram que, em mais de 20 anos de participação no Campeonato Unificado, ele jamais tinha feito um gol sequer. “E fez logo em uma final”, reconheceu Osvaldo.
Com 1 a 1 no placar, Tinti e Minoru, do Ararario/Aramar, trocavam passes na defesa. Buscavam, sem sucesso, um espaço para mandar a bola para Milton, o artilheiro da equipe. Milton é daqueles que não pode deixar dominar a bola de costas para o gol e chutar. Quem pagou para ver levou gol. Jundipira/Limcam previu a situação e o anulou. Mas tinha o Nando, afinal, ele abriu o placar com uma pintura e estava inspirado. “Deixamos três jogadores na marcação dele”, revelou Gallo. Nando até tentou jogar, mas estava difícil.

Empate de cabeça do Jundipira/Limcam
A estratégia do Jundipira/Limcam tinha um ponto fraco: dobrar e triplicar a marcação em um jogador abre espaço para outros. Durvalino teve chances claras de ampliar o placar para o Ararario/Aramar, mas não aproveitou uma sequer. Em uma delas, o goleiro Forlán fez ótima defesa.
Mesmo bem marcado, Milton se livrou de dois jogadores e arriscou um petardo cruzado. A bola passou ao lado da trave e levou susto à defesa do Jundipira/Limcam. A falha poderia ter resultado em gol.
Em ataque do Jundipira/Limcam, Roberto de Andrade errou uma cabeçada sozinho dentro da área. José Fernando quase conseguiu retribuir o presente que havia recebido no gol. O placar, no entanto, permanecia inalterado.
Com a movimentação para se livrar dos marcadores, Milton cansou. O sinal foi percebido porque, quando isso acontece, ele sai do ataque e recua para o meio do campo. Sozinho e com marcação cerrada, Nando pouco produziu e o Ararario/Aramar parou de atacar.
Um célebre ditado diz que “a pressa é inimiga da perfeição”. O ataque era do Jundipira/Limcam e a disputa no alto ficou entre Vitório e o goleiro Rebechi, que dividiram a bola. No chão, Rebechi imaginou que Vitório fosse finalizar e se antecipou. Vitório, por sua vez, imaginou que o goleiro fosse agir desta maneira e esperou. Resultado: Rebechi ficou no chão com o quicar da bola e Vitório, a um metro do gol, via o ângulo para o chute aumentar. E arrematou inacreditavelmente na trave. Ninguém esperava isso do Vitório. Logo ele, um dos mais habilidosos do time. “O pior é que fiz tudo de forma consciente e com calma. Perdi, fazer o quê?”, questionou de maneira retórica o jogador. Troféu Deivid dos gols perdidos para ele, com assinatura do Nagata, que levou um na rodada realizada em Leme.

Milton tenta lançamento para o ataque
Jogadores cansados e jogo amarrado. Tinti segurava as pontas na defesa do Ararario/Aramar, Gallo fazia o mesmo pelo Jundipira/Limcam. Uma das poucas chances que o Ararario/Aramar teve foi em uma saída errada de Forlán, que jogou nos pés do artilheiro Milton. Uma cavadinha para encobrir o goleiro terminou como tiro de meta. A preocupação dos dois times era que o empate prevalecesse. Assim, a prorrogação viria e o cansaço, que já tinha alcançado diversos jogadores, seria amplificado ainda mais.
Foi então que veio outro momento importante e mágico do jogo. Falta no campo de defesa, poucos metros atrás da linha do meio-campo. Gallo sentenciou: “pode subir. Deixe que eu bato”. E os jogadores subiram. Concentrado, ele observou as posições dos jogadores adversários e de seu time. Tomou certa distância e bateu para o “alto e avante”. O empurra-empurra dentro da área cresceu à medida em que a bola se aproximava do gol. Rebechi deu um passo para frente, com o intuito de tirar a bola de perto. A bola encobriu os jogadores do Jundipira/Limcam, que não conseguiram cabeceá-la. O mesmo aconteceu com os do Ararario/Aramar, incluindo o goleiro. Assim, “do meio da rua”, como costumam dizer, Gallo fez o gol da vitória, do título, que coroou o trabalho da equipe com a defesa menos vazada e que levou o troféu de forma invicta. 2 a 1 no final.
- Time do Jundipira/Limcam
- Time do Ararario/Aramar
- Primeiro campeão da categoria
- Pausa para hidratação e ajustes dentro de campo
- Gol decisivo no fim do jogo
























