CARTA ABERTA AO EMBAIXADOR DOS EUA NO BRASIL
Sr. Clifford M. Sobel, U.S. Ambassador to Brazil
Senhor Embaixador,
Nós, Auditores Fiscais negros e negras, temos conhecimento do sofrimento porque passa o nosso irmão Mumia Abu-Jamal, encarcerado nos EUA. A sua nação acaba de eleger um Presidente negro, mostrando ao mundo que a cor da pele não pode, não deve ser o determinante quando se trata de discutir os destinos da humanidade, quando se trata da simples aplicação da Justiça.
O Senhor tem, sem dúvida, conhecimento das estatísticas que mostram que nos EUA mais homens negros são condenados a pena de morte do que brancos. Isso é racismo! É colocar a cor da pele acima da Justiça.
O nosso objetivo é mostrar as questões com a seriedade que elas requerem. Não se trata de dar lições. O Brasil continua sendo um País racista e se entre os homens jovens as causas violentas constituem o motivo maior de mortes, apesar da precariedade das estatísticas, afirmamos que a maioria destes mortos é negra, assim como os salários dos trabalhadores negros e negras são menores que os recebidos pelos brancos.
Tudo isso é verdade, mas, para que o mundo efetivamente se transforme, é preciso que os casos emblemáticos como o de Mumia sejam tratados com Justiça e Eqüidade, para impedir que outros ocorram depois.
Os fatos são conhecidos: Mumia foi condenado à morte num julgamento em que foram excluídos os jurados negros, em que depoimentos de testemunhas a seu favor não foram permitidos no Júri. Muitas viradas jurídicas ocorreram após isso e provavelmente Mumia é um dos condenados à morte que mais tempo sobreviveu, talvez por causa das campanhas nos EUA e no mundo a favor de sua libertação.
Agora, a Procuradoria quer tentar a sua execução ainda neste mês de dezembro, antes da posse de Obama. É, de certa forma, um retrocesso e um desalento a todos os que pensam que o mundo pode mudar, que o racismo pode ter os seus dias contados.
SOMOS CONTRA A EXECUÇÃO DE MUMIA ABU JAMAL e solicitamos que o Senhor transmita este Apelo ao Presidente atual dos EUA, ao governador da Filadélfia e solicite que eles impeçam a aplicação da pena de morte, que neste caso só tem por objetivo impedir a Justiça e manter o racismo como o sistema de funcionamento do ordenamento jurídico. Não permita que mais um Negro seja colocado na longa lista de pessoas mortas nos Estados Unidos, tendo como causa mortis a incompreensão, a intolerância e o racismo que utiliza as instituições do Estado como instrumentos de ódio e vingança.
Atenciosamente,
Grupo de Auditores Negros e Negras da Receita Federal do Brasil
Para contato:
luizbicalho@gmail.com














