Mulheres são tecelãs,
tecem sonhos com fios de lágrimas.
Mulheres são tecelãs,
tecem vidas com suas barrigas, com esperanças e alegrias infantis.
Mulheres são meninas,
acreditam em príncipes e finais felizes.
Mulheres são guerreiras,
enfrentam a luta com galhardia e não esmorecem mesmo quando cansadas.
Mulheres são sábias,
trazem toda a sabedoria do mundo ao repartir, entre os filhos, o pão, o carinho e o próprio tempo.
Mulheres são especiais!
Mulheres são anjos!
Mulheres são mães, a mais perfeita tradução do ministério da eternidade!
Guiomar Cuesta
Nova Iorque, EUA, 8 de março de 1857. Foi na Tecelagem Cotton que as mulheres trabalhadoras entraram em greve pela redução da jornada de trabalho de até 16 horas diárias para 10 horas, operando teares. Era a primeira greve norte americana só de mulheres. Os contramestres, função exercida só pelos homens, não aderiram. O patrão, indignado, chamou a polícia que reprimiu violentamente as grevistas. Diante da repressão as mulheres se refugiaram dentro da fábrica, colocando cadeados nas portas. Indignado com a resistência das grevistas, o patrão jogou combustível em volta da fábrica e ateou fogo. No sufoco, 129 mulheres morreram carbonizadas ou asfixiadas.
Em 8 de março de 1910, por ocasião da 2ª Conferência Internacional das Mulheres realizada na Dinamarca, em homenagem às mulheres da Tecelagem Cotton, aprovou-se o dia 8 de março como “O Dia Internacional das Mulheres”. No dia seguinte, em toda Europa mais de um milhão de mulheres fizeram grandes manifestações pelo reconhecimento dos seus direitos, e contra a opressão machista e econômica dos donos do capital. Lilás era a cor do tecido que as trabalhadoras tingiam quando deflagraram a greve, razão pela qual a cor passou a ser usada como padrão mundial nas comemorações. Em 1945 a ONU reconheceu oficialmente o dia.
Em todo mundo no dia 8 de março as mulheres são lembradas de forma especial. Infelizmente ainda não conquistaram a merecida igualdade. As mulheres trabalhadoras ainda são obrigadas às duplas jornadas. Trabalham nos seus empregos e são obrigadas a, também, fazerem os trabalhos domésticos. Se for negra sofre a tripla discriminação: mulher, trabalhadora e negra. Em Anapu, estado do Pará, Brasil, no dia 12 de fevereiro de 2.005 a freira católica Dorothy Stang foi brutalmente assassinada com 6 tiros disparados à queima roupa por pistoleiros, a mando de grileiros e madeireiros.
Dorothy era conhecida internacionalmente por sua atuação em projetos de desenvolvimento sustentável e na luta pelos direitos humanos. Tinha 73 anos, 40 deles vividos no Brasil, onde havia se naturalizado. Foi mais uma vítima da luta pela terra e contra impunidade que cerca os assassinos de lutadores pelo direito de ter um pedaço de terra para sua sobrevivência. A omissão do governo Lula em relação ao apoio à luta da irmã Dorothy, ficou evidente na frase do bispo Dom Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra, que afirmou: “A irmã Dorothy não foi ouvida pelo governo. Ela vinha reclamando uma solução para aquela terra e não foi ouvida”.
Como se vê, em respeito à morte das 129 mulheres tecelãs, à freira Dorothy e às milhares de mulheres que perderam suas vidas lutando por igualdade e justiça social em todo mundo, não posso concordar com o uso pelo mercado capitalista do “Dia Internacional da Mulher” como motivação para alavancar vendas e, conseqüentemente, ampliar seus lucros. Não tem como os agentes políticos usarem o dia para proselitismos, promovendo festas sem nenhuma reflexão política sobre as suas omissões diante dos combates às discriminações e violências ainda sofridas pelas mulheres em todo mundo, principalmente as crianças e adolescentes vítimas de pedófilos. Assim, penso que o dia 8 de março deveria ser um dia de luto e de luta por igualdade social e econômica entre os seres humanos, sem distinção de sexo.
O Brasil e o mundo podem ser melhores sem machismos, sem racismos, sem preconceitos e sem violência!
Walter Miranda
auditor fiscal da Receita Federal do Brasil
wm@sunrise.com.br














